TVR Advocacia
JURÍDICO

O devedor pediu para renegociar: como fazer a novação sem perder garantias

30 JUL 2026 · 12 min de leitura · Por Tauany Vasconcelos (OAB/SP 459.621)
A OBRIGAÇÃO NOVA SUBSTITUI A ANTIGADÍVIDA ORIGINALINFORMAL · CONTESTADAEXTINTA · ART. 360 CCNOVAÇÃOOBRIGAÇÃO NOVACONFESSADA · LÍQUIDATÍTULO EXECUTIVO ✓FIADOR SÓ CONTINUA OBRIGADO SE ANUIRART. 366: SEM CONSENSO, FIADOR EXONERADO!NOVAÇÃO SEM RESSALVA EXTINGUE AS GARANTIASNOVAÇÃO DE DÍVIDA · RENEGOCIAÇÃO

A proposta chega quase sempre como boa notícia: o cliente em atraso quer renegociar. Novo cronograma, novo instrumento, assinatura marcada. Meses depois, a primeira parcela do acordo não cai, o credor parte para a execução e descobre o tamanho do que assinou: o fiador está exonerado, a garantia se extinguiu e a dívida antiga, aquela bem documentada, não existe mais. O nome do que aconteceu é novação (arts. 360 a 367 do Código Civil): a criação de uma obrigação nova para extinguir e substituir a anterior. Bem usada, é ferramenta poderosa do credor, capaz de transformar uma dívida informal e contestada em obrigação líquida, confessada e executável; mal usada, rebaixa um crédito garantido a quirografário com uma assinatura. A linha entre os dois cenários é técnica: a novação não se presume e exige ânimo de novar expresso ou inequívoco (art. 361); extingue acessórios e garantias salvo estipulação em contrário (art. 364), e a ressalva de garantia real de terceiro não vale sem a participação dele; exonera o fiador que não anuiu (art. 366) e os devedores solidários que ficaram de fora (art. 365); e não alcança obrigações nulas ou extintas (art. 367). Este guia percorre as três espécies de novação, a diferença entre renegociar e novar, as cláusulas que preservam garantias e fiadores, o uso ofensivo da novação para melhorar a qualidade do crédito, a novação sui generis do plano de recuperação judicial (art. 59 da Lei 11.101/2005 e Súmula 581 do STJ) e o roteiro de cobrança quando o devedor descumpre a obrigação nova.

A cena se repete em toda carteira de cobrança: o cliente em atraso pede para renegociar. O financeiro respira, o comercial comemora a relação preservada, o jurídico recebe um modelo de acordo para revisar até o fim do dia. Meses depois, a primeira parcela do novo cronograma não cai, o credor parte para a cobrança e descobre o tamanho do que assinou: o fiador está exonerado, a garantia se extinguiu, e a dívida antiga, aquela bem documentada, com juros contratuais e multa, simplesmente não existe mais. O que restou foi uma obrigação nova, nua, disputando espaço com todos os outros credores do devedor.

O nome jurídico do que aconteceu é novação: a criação de uma obrigação nova para extinguir e substituir a anterior (arts. 360 a 367 do Código Civil). Ela não é vilã. Bem desenhada, é uma das ferramentas mais úteis da recuperação de crédito, capaz de transformar uma dívida informal e cheia de discussões em obrigação líquida, confessada e executável. Mal desenhada, rebaixa um crédito garantido a quirografário com uma assinatura. Este guia percorre a diferença entre renegociar e novar, as três espécies de novação, o destino das garantias e do fiador, as cláusulas que preservam a blindagem do crédito, o uso ofensivo da novação a favor do credor, a novação especial do plano de recuperação judicial e o roteiro de cobrança quando o devedor descumpre a obrigação nova.

Nota

Este conteúdo é informativo. As referências centrais são os arts. 360 a 367, 191 e 202 do Código Civil, o art. 784, III, do CPC, os arts. 50, § 1º, 59 e 61, § 2º, da Lei 11.101/2005 e as Súmulas 286 e 581 do STJ. Os efeitos da novação dependem da redação concreta de cada instrumento e da situação das garantias. Para definir a estratégia adequada, consulte sempre o advogado responsável.

O que é novação de dívida?

Novação é o modo de extinção da obrigação em que devedor e credor criam uma dívida nova com a finalidade de extinguir e substituir a anterior. Não há pagamento, não há entrega de bem, não há encontro de contas: a obrigação antiga desaparece porque outra nasce no lugar dela. A base legal é direta:

Dá-se a novação: I - quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior.
— Art. 360, I, do Código Civil

Três consequências práticas saem dessa definição. A primeira: a extinção da dívida antiga é definitiva. Se a obrigação nova não for paga, o credor cobra a obrigação nova; a anterior não ressuscita, com seus juros, sua multa e suas garantias, salvo o que tiver sido expressamente transportado para o novo instrumento. A segunda: a obrigação nova é autônoma. Ela nasce com os encargos, os prazos e as garantias que as partes escreverem nela, e não herda nada por inércia. A terceira: novação não se confunde com as figuras vizinhas. No pagamento e na dação em pagamento a dívida se extingue porque o credor recebe; na compensação porque os créditos se anulam; na novação a dívida se extingue sem que o credor receba nada agora, apostando tudo na obrigação que a substituiu. É exatamente por isso que o desenho do novo instrumento importa tanto.

Renegociar é sempre novar?

Não, e essa é a distinção mais importante do tema. A novação exige ânimo de novar: a intenção, expressa ou ao menos inequívoca, de extinguir a obrigação antiga e substituí-la pela nova. Sem esse ânimo, a segunda avença apenas confirma a primeira (art. 361 do Código Civil). Parcelar o saldo, prorrogar o vencimento, conceder desconto condicional, assinar aditivo ou colher uma confissão de dívida são atos que, por si sós, não novam: a obrigação continua a mesma, com as garantias e os acessórios de origem. A jurisprudência repete que novação não se presume; na dúvida, o que existe é a dívida velha reorganizada, não uma dívida nova.

Para o credor, a regra do art. 361 é um escudo e uma armadilha ao mesmo tempo. Escudo porque a mera renegociação não derruba garantias: quem parcela a dívida por aditivo bem redigido mantém fiança, hipoteca e cláusula penal intactas. Armadilha porque o ânimo de novar pode estar escondido em modelo de acordo baixado da internet, naquela cláusula de estilo que declara que as partes resolvem novar a dívida nos termos do art. 360, assinada sem que ninguém tenha pensado nas consequências. Também não resolve discutir depois que a intenção era outra: se o instrumento declara a novação, ela opera. O caminho seguro é decidir antes, de forma consciente, se o negócio é confirmar a dívida antiga ou substituí-la, e escrever exatamente isso. Vale registrar ainda a via inversa: a Súmula 286 do STJ admite que o devedor discuta ilegalidades dos contratos anteriores mesmo depois de renegociação ou confissão, entendimento construído em contratos bancários; entre empresas, em relação paritária, a margem para reabrir o passado é bem menor, sobretudo quando a novação é expressa e o novo instrumento é equilibrado.

Quais são os tipos de novação?

O art. 360 do Código Civil desenha três espécies, conforme o que muda na obrigação: a prestação, o devedor ou o credor. As três aparecem na prática da recuperação de crédito, cada uma com um ponto de atenção próprio:

EspécieO que mudaBase legalPonto de atenção do credor
Novação objetivaA prestação: nova dívida extingue e substitui a anterior entre as mesmas partesArt. 360, I, do CCÉ a novação típica da renegociação; sem ressalva expressa, as garantias e os acessórios da dívida antiga se extinguem (art. 364)
Novação subjetiva passivaO devedor: um novo devedor sucede ao antigo, que fica quite com o credorArts. 360, II, 362 e 363 do CCAceito o novo devedor, não há regresso contra o antigo se o substituto for insolvente, salvo má-fé na substituição (art. 363)
Novação subjetiva ativaO credor: em virtude de obrigação nova, outro credor substitui o antigoArt. 360, III, do CCRara no mercado; a troca de credor costuma sair por cessão de crédito, que transfere a mesma dívida e preserva garantias e acessórios

A novação subjetiva passiva merece uma lupa, porque aparece em cenários muito concretos: o sócio que assume a dívida da empresa em dificuldade, a empresa do grupo que absorve o débito da coirmã, o comprador do negócio que topa carregar o passivo. Ela pode ser feita por delegação, quando o devedor original indica quem o substitui, ou por expromissão, quando o terceiro assume a dívida independentemente do consentimento do devedor (art. 362). Nos dois casos a regra de ouro do credor é a mesma do art. 363: aceito o novo devedor, o antigo está liberado, e se o substituto se revelar insolvente não há ação regressiva contra o primeiro, salvo se ele obteve a substituição de má-fé. Trocar de devedor é, portanto, uma decisão de crédito, e merece a mesma diligência de uma venda a prazo nova: consulta completa do substituto, análise de capacidade de pagamento e, idealmente, a permanência do devedor original no instrumento como garantidor, o que na prática converte a substituição seca em reforço de quadro. O roteiro de verificação está no guia de consulta de CNPJ antes de vender a prazo.

O que acontece com as garantias e o fiador na novação?

Aqui mora o risco que dá título a este guia. A novação extingue os acessórios e as garantias da dívida sempre que não houver estipulação em contrário (art. 364 do Código Civil). Acessórios são tudo o que gravita em torno do principal: juros convencionados, multa moratória, cláusula penal, correção pelo índice contratual. Garantias são a fiança, o penhor, a hipoteca, a alienação fiduciária, o aval no título. Extinta a obrigação principal pela novação, tudo isso cai junto, salvo o que o novo instrumento expressamente preservar. E para o fiador a lei foi ainda mais dura:

Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal.
— Art. 366 do Código Civil
  • Fiador: a novação celebrada só entre credor e devedor exonera o fiador que não anuiu (art. 366). Não basta ressalvar a fiança no papel; é preciso que o próprio fiador assine o novo instrumento consentindo em garantir a obrigação nova;
  • Garantia real de terceiro: a ressalva de penhor, hipoteca ou anticrese não aproveita ao credor se os bens pertencerem a terceiro que não foi parte na novação (art. 364, parte final). O dono do bem precisa participar do ajuste;
  • Devedores solidários: operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários, as preferências e garantias do crédito novado só subsistem sobre os bens de quem contraiu a obrigação nova; os demais ficam exonerados (art. 365);
  • Aval: o aval adere ao título de crédito, não à dívida. Se a novação extingue a duplicata ou a nota promissória avalizada e a substitui por instrumento particular, o aval morre com o título; é preciso emitir título novo avalizado ou converter o avalista em fiador no novo instrumento.

O quadro completo explica por que tanta renegociação bem-intencionada termina em crédito quirografário: o credor concentrou a atenção no cronograma de pagamento e esqueceu que a obrigação que sustentava suas garantias estava sendo extinta na cláusula anterior. Quem construiu a blindagem com o roteiro de aval, fiança e garantias reais precisa carregá-la, peça por peça, para dentro do novo acordo.

Como renegociar sem perder garantias e fiadores?

Existem dois caminhos seguros, e a escolha entre eles é estratégica, não estética. O primeiro é renegociar sem novar: aditivo ou confissão de dívida que declara expressamente que não há novação, reorganiza prazos e valores e ratifica as garantias existentes. O segundo é novar por decisão consciente, com ressalva expressa das garantias e anuência de todos os garantidores. O que não existe é meio-termo respeitável: a novação seca, sem ressalvas, quase nunca é uma escolha do credor, e sim o resultado de um modelo mal redigido.

CaminhoO que acontece com a dívida antigaGarantias e fiadorQuando usar
Aditivo ou confissão sem novaçãoContinua a mesma: o instrumento reconhece o débito, parcela ou prorroga, com cláusula expressa de que não há novaçãoPreservados por continuidade, com ratificação expressa e, por cautela, anuência do fiador no aditivoQuando a dívida original é bem documentada e garantida e o objetivo é só reorganizar o pagamento
Novação com ressalva e anuênciasExtinta e substituída pela obrigação nova, com ânimo de novar declaradoSobrevivem pela estipulação em contrário (art. 364), com anuência do fiador (art. 366) e do terceiro dono do bem dado em garantiaQuando interessa encerrar as discussões da relação antiga e reconstruir o crédito em bases novas, sem abrir mão da blindagem
Novação secaExtinta e substituída, sem ressalvasFiador exonerado, garantias e acessórios extintos; o crédito vira quirografárioPraticamente nunca interessa ao credor; costuma ser acidente de redação, não decisão

Qualquer que seja o caminho, o novo instrumento deve nascer com a força executiva e as travas que a cobrança futura vai precisar. O checklist de redação que aplicamos nas renegociações é este:

  1. Declaração expressa sobre o ânimo: ou o instrumento afirma que não constitui novação e que a obrigação original permanece íntegra, ou declara a novação e lista, uma a uma, as garantias ressalvadas (art. 364);
  2. Anuência de todos os garantidores: fiador assinando o instrumento e consentindo em garantir a obrigação nova (art. 366), terceiro proprietário do bem gravado participando do ajuste (art. 364, parte final), avalista reconduzido por novo título ou fiança;
  3. Forma executiva: instrumento assinado pelo devedor e por duas testemunhas, para valer como título executivo extrajudicial (art. 784, III, do CPC), nos moldes do guia de confissão de dívida;
  4. Cláusula de vencimento antecipado com prazo de cura curto, para que o atraso de uma parcela vença o saldo inteiro, como detalhado no guia de vencimento antecipado;
  5. Garantias novas quando a renegociação conceder benefício relevante: desconto e prazo longo se pagam com reforço de quadro, não com boa vontade;
  6. Entrada no ato da assinatura, ainda que modesta: além de reduzir o saldo, materializa o reconhecimento da dívida e testa a disposição real de pagar.

Um efeito colateral da renegociação joga a favor do credor e merece registro: o reconhecimento do débito pelo devedor interrompe a prescrição (art. 202, VI, do Código Civil), e a obrigação nova inaugura prazo prescricional próprio, de cinco anos quando líquida e constante de instrumento particular (art. 206, § 5º, I). Uma dívida que caminhava para prescrever renasce com calendário zerado. O mapa completo de prazos está no guia de prescrição de dívidas.

Quando a novação joga a favor do credor?

Até aqui a novação apareceu como risco, mas ela tem um lado ofensivo que a prática de recuperação de crédito usa o tempo todo: a troca deliberada de um crédito ruim por um crédito bom. Pense na dívida formada por pedidos de WhatsApp, canhotos incompletos e faturas glosadas, com o devedor alegando abatimentos e divergências a cada cobrança. Novar essa dívida, com ânimo declarado e valor fechado, extingue a obrigação controvertida e faz nascer no lugar dela uma obrigação líquida, confessada, com força executiva e garantias novas. As discussões sobre a relação antiga perdem objeto, porque a dívida que as comportava deixou de existir. O art. 367 do Código Civil dá o limite dessa operação: obrigações nulas ou extintas não podem ser novadas, mas as simplesmente anuláveis podem, e a novação as confirma. Quanto à dívida prescrita, a prescrição extingue a pretensão, não a obrigação: o devedor que assina a renegociação de um débito prescrito renuncia à prescrição já consumada (art. 191), e a praxe prudente é declarar essa renúncia expressamente no instrumento, para eliminar a discussão.

Um cliente nosso da distribuição de perfumes e cosméticos, que vende a prazo para um varejo pulverizado, viveu exatamente essa virada. A carteira em atraso era um mosaico de pedidos informais, notas contestadas e promessas de acerto que se arrastavam. Em vez de discutir fatura por fatura, a estratégia foi levar cada devedor relevante à mesa e novar: valor consolidado, confissão com duas testemunhas, fiança dos sócios anuindo expressamente, vencimento antecipado e entrada no ato. Os acordos que seguiram sendo pagos limparam a carteira sem processo; os que falharam viraram execução direta de título líquido, sem espaço para reabrir a discussão comercial antiga. O mesmo crédito, requalificado pela novação, passou a valer mais nas duas pontas.

E se o devedor entrar em recuperação judicial?

A recuperação judicial tem uma novação própria, e ela é deliberadamente diferente da novação civil. O art. 59 da Lei 11.101/2005 dispõe que o plano aprovado implica novação dos créditos anteriores ao pedido, mas sem prejuízo das garantias: é a chamada novação sui generis. A supressão ou substituição de garantia real depende da aprovação expressa do credor titular (art. 50, § 1º), e as garantias prestadas por terceiros atravessam o plano intactas. O STJ consolidou o ponto na Súmula 581: a recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das ações e execuções contra os coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória. Na prática, o plano vincula o crédito contra a recuperanda, mas fiador, avalista e devedor solidário continuam executáveis pelas condições originais, e abater o que se recebe de cada fonte é questão de imputação, não de escolha entre uma via e outra. Além disso, a novação da recuperação é resolúvel: convolada a falência, os credores têm reconstituídos seus direitos e garantias nas condições originalmente contratadas, deduzido o que receberam (art. 61, § 2º). O comportamento completo do credor nesse cenário está no guia sobre a recuperação judicial do cliente devedor.

O devedor descumpriu a obrigação nova. E agora?

Cobra-se a obrigação nova, e apenas ela. A extinção operada pela novação civil é definitiva: o inadimplemento do acordo não ressuscita a dívida antiga nem as garantias que não foram transportadas, e é exatamente por isso que todo o esforço de desenho acontece antes da assinatura. Se o instrumento seguiu o checklist, a resposta é rápida: o vencimento antecipado torna exigível o saldo integral após o prazo de cura, o título vai a protesto pela Lei 9.492/1997 e a execução ataca o patrimônio na sequência, nos moldes do guia de execução de título extrajudicial, com SISBAJUD, RENAJUD e a escada completa de constrições. Se a novação foi mal feita e as garantias se perderam, o crédito não morreu: segue exigível como quirografário, e a cobrança se apoia em busca patrimonial, protesto, negativação e nas medidas do processo comum. O que muda é a força relativa na fila dos credores, e essa diferença, na prática, foi decidida no dia em que o acordo foi redigido.

Como a TVR conduz a renegociação e a novação de dívidas

A TVR Advocacia atua na recuperação de crédito empresarial com foco preventivo: o momento de decidir se uma renegociação confirma ou substitui a dívida é antes da assinatura, nunca depois do descumprimento. O trabalho começa pelo diagnóstico da carteira, separando os créditos que pedem aditivo com ratificação de garantias daqueles em que a novação consciente melhora a qualidade do título, passa pela redação do instrumento com ânimo declarado, ressalvas, anuências e força executiva, e desemboca na régua de acompanhamento dos acordos. No painel próprio do escritório, o cliente acompanha em tempo real cada acordo firmado, as parcelas pagas, os descumprimentos e as medidas tomadas na sequência, sem depender de relatório para saber onde o crédito está.

O seu cliente pediu renegociação, ou a sua carteira acumula acordos assinados que ninguém sabe dizer se preservaram as garantias? Agende uma reunião de diagnóstico gratuito: avaliamos juntos o cenário da carteira, identificamos o que cada acordo realmente extinguiu ou manteve e desenhamos a estratégia para renegociar fortalecendo o crédito, com a segurança jurídica que a recuperação exige.

Perguntas frequentes

O que é novação de dívida?

É o modo de extinção da obrigação em que as partes criam uma dívida nova para extinguir e substituir a anterior (art. 360 do Código Civil). Pode mudar a prestação (novação objetiva), o devedor (subjetiva passiva) ou o credor (subjetiva ativa). A dívida antiga desaparece de forma definitiva, e a cobrança passa a se apoiar exclusivamente na obrigação nova, com os encargos e as garantias que tiverem sido escritos nela.

Renegociar ou parcelar a dívida é sempre novação?

Não. A novação exige ânimo de novar, expresso ou inequívoco; sem ele, a segunda avença apenas confirma a primeira (art. 361 do Código Civil). Parcelamento, prorrogação, aditivo e confissão de dívida, por si sós, não novam: a obrigação continua a mesma, com as garantias de origem. O risco prático está nos modelos de acordo que declaram a novação em cláusula de estilo, sem que o credor perceba as consequências.

A novação extingue as garantias da dívida?

Extingue, salvo estipulação em contrário: acessórios e garantias da dívida antiga caem com ela (art. 364 do Código Civil). A ressalva precisa ser expressa no novo instrumento e, se a garantia real pertencer a terceiro, ele deve participar da novação, senão a ressalva não aproveita ao credor. O aval segue o título: extinto o título original, é preciso título novo avalizado ou converter o avalista em fiador no novo acordo.

O fiador continua obrigado depois da renegociação?

Depende do que se assinou. Se houve mera renegociação sem novação, a fiança persiste, embora a anuência do fiador no aditivo seja recomendável, sobretudo se prazos e encargos mudaram. Se houve novação, o fiador que não consentiu está exonerado (art. 366 do Código Civil), e não basta ressalvar a fiança no papel: é preciso que o próprio fiador assine o novo instrumento garantindo a obrigação nova.

Posso novar uma dívida prescrita, nula ou já extinta?

Obrigações nulas ou extintas não podem ser objeto de novação; as simplesmente anuláveis podem, e a novação as confirma (art. 367 do Código Civil). A dívida prescrita fica no meio do caminho: a prescrição extingue a pretensão, não a obrigação, e o devedor que renegocia débito prescrito renuncia à prescrição consumada (art. 191). A cautela recomendada é declarar essa renúncia expressamente no instrumento.

Aceitei um novo devedor no lugar do antigo e ele não paga. Posso voltar contra o devedor original?

Em regra, não. Na novação por substituição do devedor, o antigo fica quite com o credor, e a insolvência do novo devedor não reabre ação regressiva contra o primeiro, salvo se ele obteve a substituição de má-fé (art. 363 do Código Civil). Por isso a troca de devedor deve ser tratada como decisão de crédito: consulta completa do substituto e, sempre que possível, permanência do devedor original no instrumento como garantidor.

A novação do plano de recuperação judicial libera o fiador e o avalista?

Não. A novação do art. 59 da Lei 11.101/2005 é sui generis: opera sem prejuízo das garantias, e a Súmula 581 do STJ garante o prosseguimento das ações e execuções contra coobrigados, por garantia cambial, real ou fidejussória, mesmo com o devedor principal em recuperação. Além disso, convolada a falência, os credores têm reconstituídos seus direitos e garantias nas condições originais, deduzido o que receberam (art. 61, § 2º).

Se o devedor descumprir o acordo de novação, a dívida antiga volta a valer?

Não. A extinção operada pela novação civil é definitiva: descumprida a obrigação nova, cobra-se a obrigação nova, com as garantias que tiverem sido expressamente transportadas para ela. Por isso o instrumento deve nascer executivo (assinatura do devedor e duas testemunhas, art. 784, III, do CPC), com vencimento antecipado do saldo e garantias ratificadas, permitindo protesto e execução imediatos do total em aberto.

Vamos conversar.
O primeiro passo é o diagnóstico.

Em uma conversa inicial, entendemos a sua operação e mostramos quanto da sua carteira ainda dá para recuperar e como transformar inadimplência em caixa.

Agendar diagnóstico gratuito

Continue lendo

FILIAL NÃO É OUTRA EMPRESA. O PATRIMÔNIO É UM SÓ.!A DEVEDORA É UMA FILIAL. QUEM PAGA?NF SAIU CONTRA A /0002MATRIZ /0001FILIAL /0002FILIAL /0003CNPJ RAIZ 12.345.678PENHORA ALCANÇA AS TRÊSFILIAL · CC ART. 969 · CPC ART. 53, III
JURÍDICO

A nota fiscal saiu contra a filial da empresa devedora: a matriz responde pela dívida? E os bens das outras filiais? As cinco respostas do credor (arts. 969 e 1.142 do Código Civil, art. 53, III, "b", do CPC e Tema 614 do STJ)

Uma indústria de embalagens de São Paulo vendeu a prazo para a Rede Horizonte Distribuidora Ltda., com sede em Belo Horizonte e filiais em Campinas e Curitiba. Os pedidos vieram do gerente da filial de Campinas, o contrato de fornecimento foi assinado "pela filial", as notas fiscais e as duplicatas saíram contra o CNPJ da filial, terminado em /0002, e um dos sócios assinou fiança "em favor da filial de Campinas". A filial atrasou R$ 680 mil e, três meses depois, fechou e deu baixa no CNPJ. A matriz segue operando e a filial de Curitiba tem caixa. A dívida acabou com a filial? A matriz responde? Responde: a filial não é outra empresa, e sim estabelecimento secundário da mesma pessoa jurídica, sem personalidade e sem patrimônio próprios (arts. 969 e 1.142 do Código Civil), e o CNPJ dela é derivado do CNPJ da matriz e só confere autonomia para fins fiscalizatórios. A devedora é a sociedade, que responde com todos os seus bens (art. 789 do CPC), régua que o STJ firmou em recurso repetitivo (Tema 614) e que a Terceira Turma reafirmou em março de 2026, numa execução de duplicatas em que a penhora on-line alcançou as contas das filiais por dívida da matriz: é admissível a penhora de bens da matriz por dívida da filial e vice-versa. São cinco respostas, e cada uma muda uma decisão do credor: a filial não é outra empresa, e a cobrança vai contra a sociedade, sem incidente de desconsideração; o patrimônio é um só, e o bloqueio pelo Sisbajud é feito, por regra, pela raiz do CNPJ (Portaria SEP/CNJ 3/2024, art. 12); a sociedade pode ser citada pelo cadastro eletrônico, na sede ou no endereço da filial, como a Terceira Turma do STJ confirmou em acórdão publicado em 10/09/2026, mas nunca no endereço da filial que fechou; na ação de cobrança, enquanto a filial funciona, o foro próprio é o da filial que contraiu a obrigação, e não o da sede, como a Segunda Seção do STJ decidiu em fevereiro de 2026, e, na execução, contam também o domicílio do executado e o lugar dos bens; e a fiança dada "à filial" garante a sociedade inteira, mesmo quando a filial afiançada é fechada, e o fechamento da filial não muda o devedor. Este guia mostra ainda por que o sócio não passa a responder só porque a filial fechou, os contrastes com a empresa do mesmo dono com outra raiz de CNPJ, com a filial de sociedade estrangeira, com a recuperação judicial e com a autonomia fiscal dos estabelecimentos, como descobrir se o CNPJ da nota é de uma filial, a tabela situação por situação, a conta de quando compensa perseguir a matriz e as filiais, o passo a passo e os nove erros que transformam a cobrança em prejuízo.

11 SET 2026 · 15 MIN
CONSÓRCIO SEM PERSONALIDADE: O CONTRATO DIZ QUEM PAGA.!A DEVEDORA É UM CONSÓRCIO. QUEM PAGA?NF · R$ 1,4 MICONTRATO DE CONSÓRCIO · JUNTAALFA · 60%BETA · 30%GAMA · 10%SEM CLÁUSULA: SÓ A FRAÇÃOCLÁUSULA SOLIDÁRIA: 100%CONSÓRCIO · LSA ART. 278 § 1º · CC ART. 265
JURÍDICO

A empresa devedora é um consórcio de empresas: as consorciadas respondem pela dívida? Cada uma pela sua parte ou qualquer uma pelo total? As quatro portas do credor (arts. 278 e 279 da Lei 6.404/1976 e art. 265 do Código Civil)

Uma locadora de equipamentos pesados faturou R$ 1,4 milhão para o Consórcio Obra Norte, formado por três construtoras para uma obra de saneamento: a Alfa Engenharia S.A., líder, com 60%, a Beta Construções Ltda., com 30%, e a Gama Terraplenagem Ltda., com 10%. Os pedidos e a confissão de dívida foram assinados pelo gerente do consórcio, em nome do consórcio, e as notas fiscais saíram contra o CNPJ do consórcio. A obra atrasou, o consórcio parou de pagar, a Alfa pediu recuperação judicial e a Gama, a menor das três, é a única com caixa. Posso cobrar o total da Gama? Depende do contrato: o consórcio não tem personalidade jurídica e cada consorciada responde por suas obrigações nas condições do contrato de consórcio, sem presunção de solidariedade (art. 278, § 1º, da Lei 6.404/1976), régua que a Quarta Turma do STJ aplicou em dois julgamentos concluídos em junho de 2026. Existem quatro portas, e cada uma pede uma prova diferente: o contrato de consórcio arquivado na Junta Comercial, que define a parte de cada consorciada e, sem cláusula de solidariedade, limita a cobrança à fração de cada uma; a cláusula de solidariedade, no contrato de consórcio ou no próprio contrato com o credor, que permite cobrar o total de qualquer consorciada; a solidariedade por lei, que é do consumidor e, nas licitações, da Administração Pública, e com a qual o fornecedor privado não deve contar; e a recuperação judicial ou a falência de uma consorciada, que não arrasta as outras nem apaga a solidariedade contratada. Este guia mostra o que muda quando a devedora é um consórcio, por que o CNPJ do consórcio não o transforma em empresa com patrimônio próprio, quando o credor cobra só a fração e quando cobra o total, por que a empresa líder representa o consórcio mas não garante a dívida das outras, o que acontece com a alteração do contrato de consórcio não arquivada na Junta, por que o fornecedor não pode contar com a solidariedade do Código de Defesa do Consumidor nem deve depender da solidariedade da Lei de Licitações, o que muda quando uma consorciada pede recuperação judicial ou tem a falência decretada, contra quem propor a ação e por que a sentença obtida só contra o consórcio não alcança as consorciadas, como descobrir quem responde e por quanto, a tabela situação por situação, a conta de quando compensa perseguir cada consorciada, o passo a passo e os nove erros que transformam a cobrança em prejuízo.

10 SET 2026 · 15 MIN